quarta-feira, 11 de março de 2009

Meu deus, é um animal

Há uma certa altura na nossa vida em que dentro de todos nós, os bravos machos ibéricos, despertamos o nosso consciente ao conceptualizar as mulheres como algo mais do que a fonte de repugnância infundada. A mim esse momento mágico aconteceu aos 12 aninhos de idade, numa ida normal à casa de banho da escola. Dirigindo-me ao urinol com uma ânsia de aliviar a bexiga, dei-me comigo a ouvir uma conversa de dois colegas que reflectiam sobre a aparência física de uma outra colega. Eu mal entendi os termos ou o propósito de tal debate, realizando a minha humilde tarefa e lavando as mãos de seguida (sem sabonete pois como é conhecimento geral: os alunos roubam sabonetes porque é giro). De repente atingiu-me, como se de um calhau se tratasse, um conceito novo para mim. As mulheres são fixes.

Era como se uma enorme luz fosse projectada no crânio, iluminando uma zona que até à data nunca vira a luz do dia, ou da noite. O mundo tinha mudado enquanto eu admirava o urinol.

Hoje em dia, esse conceito está de tal forma interiorizado e essa luz tão intensa que até se pode dizer que os meus faróis estão em ligação permanente. Não existe um dia, UM DIA, em que eu não pense de todo no curioso sexo oposto. Seja na minha demanda diária como estudante ou nos meus tempos livre como desleixado (chego a confundir ambos). A frustração que se pode tornar quando me apercebo que nas minhas conversas com estes seres, os meus olhos não se encontram a focar os olhos das belas jovens, mas sim algo igualmente belo.

-O seu coração – diz uma testemunha anónima e viável.

Somos todos filhos da terra. Todos irmãos e irmãs. Ambos respiramos e sangramos, vivemos e existimos neste gigantesco pedaço de barro em bruto. O período que passámos cá, esperamos talvez em vão que sirva de consolação nos momentos finais. Que possamos dizer com convicção dizer que a nossa vida foi, não existencial, mas sim vivida.

Nesse momento mais crítico é possível sermos visitados ainda por essa luz. Talvez até, se tivermos sorte, pensaremos numa só mulher. Uma luz só nossa. Já não são faróis a guiar o nosso caminho mas sim uma vela solitária cuja luz nós seguiremos cegamente, ansiando pelo seu calor, cobiçando o seu…

-Coração – digo eu

1 comentário:

  1. Reforço o comentário anterior. Acrescento: devias ter um blogue teu, que estes textos merecê-lo-iam. No contexto deste blogue estão desenquadrados.

    ResponderEliminar